sábado, 15 de outubro de 2011

Feliz Dia do Professor!!

Queria parabenizar a todos os professores que passaram pela minha, vida alguns deles que estiveram presentes na minha infância.. Madalena, Rosinete, Antonio, mas em especial Madalena (responsável pela escolha da minha carreira), Ivanilda (que praticamente me ensinou tudo o que eu sei sobre Língua Portuguesa) e a professora Diva, a quem ainda tenho muito carinho.
Também queria agradecer a todos os demais, professores universitários, em especial ao Adan, Sinvaldo e ao professor mais bruto, humilde e de bom coração que eu já  conheci, o professor José Adonai, orientador do meu TCC.
Queria também agradecer aos treinadores da Pokerstaregy, em especial ao Victormm, que me ensinou muito enquanto era o treinador da Big Stack Strategy..
Fica aqui meu agradecimento, inclusive ao meu irmão também, meu professor de inglês e a todos os demais que deixaram um pouco de si mesmos em mim e que levarei para o resto da vida..
Não há muitos adjetivos que caibam ao professor que não sejam os mesmos que usamos quando queremos nos referir a um herói ou a um mártir.. assim é todo professor hoje em dia.. um herói e mártir.. que vai morrer exercendo sua profissão mesmo com todos os problemas e se alimentando de pequenos sucessos (casos isolados).. porque geralmente quando falamos algo de importante a 40 crianças e pelo menos 1 muda por isso, já valeu à pena todo o sacrifício e sofrimento.. porque abrir os olhos de alguém é algo realmente divino.. geralmente um homem que desperte e que decida mudar de classe social ou que decida mudar uma realidade nefasta, leva consigo ao sucesso no mínimo os seus familiares, às vezes uma classe inteira, às vezes uma nação inteira, exemplos não faltam, um dos mais fortes é Chico Mendes.
Também queria falar um pouco sobre o poker.. depois de um tempo oscilando, estou jogando de forma mais firme. Em parte acho que a oscilação que estava enfrentando se devia ao fato de estar lendo 2 livros de cash 6max.. que é um jogo muito mais agressivo e de mto mais 3bets, check-raises e re-raises.. acho que estava lendo esses livros e tentando aplicar (conscientemente ou inconscientemente) os conceitos que estava assimilando, obviamente alguns serviam mas muitos outros não, porque full ring é um jogo muito mais tight e geralmente só jogamos por valor, pelo menos da NL25 pra baixo.. outra coisa que descobri (ou redescobri) é acreditar na minha leitura, em outras palavras ser menos desconfiado.. uma ex-namorada minha me dizia direto que eu era muito desconfiado.. rsrsrs.. e acho que no poker isso estava me fazendo perder muito dinheiro.. por isso geralmente quando algo (intuição, experiência, leitura) me diz pra foldar, não penso muito.. e como resultado, minhas sessões estão ficando mais tranquilas.. isso é algo que inclusive está presente nos livros que andei lendo sobre 6 max, o escritor diz: "Quando não souber se está atrás ou à frente, dê fold.".. e é isso que estou fazendo, além de respeitar os re-raises pós flops, especialmente contra vilões desconhecidos. Se vejo alguem me dando raise com TP ou menos, faço uma nota e me adapto. Se vejo alguem me dando raise constantemente começo a observá-lo até ter uma boa leitura do infeliz, faço uma nota e me adapto, mas geralmente re-raise flop, turn  ou river em full ring é monstro, simples assim.

Outra coisa é com relação ao mestrado, já se formaram os grupos que irão fazer o trabalho final do curso, eu e mais  3 amigos iremos fazer o nosso trabalho, que provavelmente será sobre Jogos e Matemática.. tem amigos que já estão mechendo os pauzinhos para entrar no doutorado, eu sinceramente não me decidi ainda se quero isso.. esse é o caminho natural das coisas mas tem certas coisas que acontecem dentre os acadêmicos que não me agrada.. além disso sinto falta de dormir mais, assistir mais tv, sair mais.. curtir mais as futilidades que tenho como hobie.. e viver toda uma vida de trabalho e responsabilidades sem fim e nem descanço, me assusta.. não que eu não goste de ter responsabilidades, mas também preciso ter tempo pra fazer as coisas que gosto.. inclusive jogar xadrez, tocar violão.. o que há séculos não faço.

Abraço


FJ

Session 15/10/11


domingo, 9 de outubro de 2011

O garoto de meio milhão de jogadas

Essas são as possibilidades que o norueguês Magnus Carlsen,
o novo número 1 do ranking, enxerga diante do tabuleiro.
Aos 19 anos, ele é o grande nome de uma geração
de enxadristas criada com os recursos dos computadores


Alexandre Salvador

Pal Hansen
APRENDIZADO VIRTUAL
Carlsen, grande mestre desde os 13 anos,
só treina com softwares: ele não se lembra
se tem em casa um tabuleiro convencional

Diante de um tabuleiro de xadrez, o norueguês Magnus Carlsen é capaz de proezas notáveis – principalmente para um jovem de apenas 19 anos. Sua memória guarda meio milhão de jogadas possíveis. Isso significa dispor de resposta pronta para praticamente qualquer lance do adversário. Não bastasse esse imenso arsenal, ele também consegue prever os vinte lances seguintes de uma partida, de acordo com suas movimentações iniciais e as de seu adversário. Carlsen encarna um personagem que gozava de grande popularidade num passado não muito distante – o gênio do xadrez. Até a década de 90, as disputas entre os grandes enxadristas eram televisionadas e eletrizavam o planeta. Os jogadores eram festejados como heróis e tinham seus passos seguidos com curiosidade. O interesse pelo xadrez diminuiu consideravelmente. Magnus Carlsen, pela precocidade e pela velocidade com que vem galgando degraus na carreira, é o primeiro enxadrista em condições de virar celebridade desde então.
Em 2004, com apenas 13 anos, Carlsen derrotou o antigo campeão mundial, o russo Anatoly Karpov, e empatou com o também russo Garry Kasparov, então o número 1 do ranking da Federação Internacional de Xadrez (Fide). No mesmo ano, recebeu o título de grande mestre, a mais alta qualificação de um enxadrista, equivalente à faixa preta nas artes marciais. No ano passado, Carlsen venceu dois torneios cruciais, um na China e outro na Inglaterra, e a recompensa veio no início deste mês. A Fide o colocou na primeira posição no ranking global dos jogadores de xadrez. "Desde a aposentadoria de Kasparov não surgia um jogador de primeiro time que fosse carismático, que atraísse a simpatia do público, como Carlsen", disse a VEJA o americano William Hall, diretor executivo da federação americana de xadrez.
Magnus Carlsen é o grande nome de uma geração de enxadristas que guarda diferenças significativas com os campeões do passado. Boa parte da popularidade desfrutada pelo xadrez nos anos 60 e 70 se devia à exploração ideológica do jogo promovida pelos Estados Unidos e pela União Soviética durante a Guerra Fria. Os soviéticos foram os maiores campeões de xadrez no século XX, mas sua hegemonia era constantemente ameaçada pelos americanos, e as disputas se tornaram instrumentos de marketing na polarização entre capitalismo e comunismo. No século passado, apenas um americano, Bobby Fischer, conquistou o título de campeão mundial de xadrez, em 1972, derrotando o russo Boris Spassky. A partida entre ambos, que durou um mês e meio e foi acompanhada atentamente em todos os quadrantes do planeta, ganhou o apelido grandioso de "o jogo do século".
Pal Hansen e Fotos: Chester Fox e Najlah Feanny/Corbis/Latinstock
O JOGO DO SÉCULO...
O soviético Boris Spassky e o americano Bobby Fischer (acima) na partida que deu o título mundial ao segundo, em 1972: o xadrez era usado como instrumento ideológico na Guerra Fria. Abaixo, o russo Garry Kasparov no jogo que perdeu para o computador Deep Blue, em 1997: hoje, há programas capazes de imitar o estilo dos campeões

... E O HOMEM CONTRA O COMPUTADOR

A característica da geração de enxadristas a que pertence Magnus Carlsen é que ela foi forjada sob forte influência dos computadores e dos softwares de xadrez. Numa entrevista recente, Carlsen não soube dizer se tinha em casa um tabuleiro de xadrez convencional – seu treino, que lhe toma de seis a oito horas diárias, é todo feito com o computador. Em maio de 1997, causou enorme repercussão a derrota de Garry Kasparov na partida que disputou com o supercomputador Deep Blue, construído pela IBM. Parecia incrível que a inteligência cibernética sobrepujasse a humana. Mal se sabia o que estava por vir. Naquele tempo, os programas de xadrez eram apenas grandes bancos de dados de jogadas, anteriormente catalogadas em livros para consulta. Com o avanço da tecnologia e a chegada da internet, os softwares ficaram mais espertos. Além de ser possível atualizá-los com os lances das partidas recém-jogadas, o computador já pode simular o estilo de jogo dos melhores enxadristas, ou seja, imitar soluções criadas por jogadores de carne e osso. "Com os programas de xadrez atuais, é muito difícil vencer a máquina, tanto por sua velocidade de processamento de dados quanto pela qualidade dos lances", diz o enxadrista carioca Darcy Lima, detentor do título de grande mestre e membro do conselho da Fide.
Isso significa que, para derrotarem os computadores, os jogadores têm de ser mais inteligentes? Não necessariamente. Disse a VEJA o psicólogo cognitivo Fernand Gobet, da Universidade Brunel, em Londres, autor de pesquisas que relacionam o xadrez com a inteligência de seus praticantes: "Hoje está provado que o QI não é fator decisivo para se tornar um grande jogador de xadrez. O mais importante é começar a jogar o mais cedo possível, ter motivação para aprender sempre mais sobre o jogo e treinar muito. Só assim se chega a guardar na memória meio milhão de jogadas". Essa foi a trajetória percorrida por Magnus Carlsen.