sexta-feira, 8 de julho de 2011

Esperança Matemática

Imaginemos a seguinte situação: o jogo da cara ou coroa; quando vencer ganho uma ficha, quando perder perco outra ficha. Dado que em cada jogada tenho 50% de probabilidades de vitória, a longo prazo o meu resultado económico tenderá para o empate. Simples e intuitivo! Diz-se então que o jogo é equitativo, ou seja, o seu rendimento (esperança matemática) é igual a 1.

Em termos matemáticos, o rendimento (R) de uma aposta é definido como o produto entre a probabilidade (P) do evento em que se apostou e o número (n) das apostas em que se ganhariam se aquele evento se verificasse (ou seja, se se ganhasse): R = n x P

Um jogo cujas apostas tenham sempre um rendimento maior do que 1 diz-se "vantajoso" porque a sua prática permite receber, a longo prazo, uma importância total superior ao montante do dinheiro dispendido. Quando o rendimento é igual a 1, estamos perante um jogo "equitativo" - é paga exactamente a mesma quota calculada e, a longo prazo, as quantias ganhas equilibrar-se-ão com as perdidas. Um jogo cujas apostas têm sempre um rendimento menor do que 1 diz-se, enfim, "desvantajoso" porque a sua prática vai permitir receber, a longo prazo, uma quantia total inferior ao montante do dinheiro dispendido.

Passemos à frente.

Joguemos outra vez cara ou coroa, mas desta vez a moeda não é de todo equilibrada: o meu lado é mais leve e sai apenas 1 vez em cada 4; decerto, não me convém jogar, porque para mim se trata de um jogo claramente desvantajoso (mas vantajoso para o meu adversário). Porém, desvantajoso até que ponto? A cada 4 lances recebo 2 fichas e pago 4, com um saldo negativo de 2 fichas, igual a uma média de meia ficha perdida por lance. Em termos de rendimento: R = 0,25 x 2 = 0,5. Um verdadeiro desastre!

Suponhamos que um espectador benevolente decida oferecer em cada jogada uma ficha ao vencedor; então, quando vencer recebo 3 fichas e quando perder continuo a perder 2 e o resultado económico melhora, mas mantém-se negativo: perco ainda 3/4 das fichas por jogada, com R = 0,25 x 3 = 0,75.

Se agora o espectador decidir oferecer ao vencedor 2 fichas por jogada, a situação regressa ao empate: por cada 4 jogadas recebo e pago 4 moedas.  O jogo volta a ser equitativo e a minha decisão de jogar ou não torna-se matematicamente indiferente (R = 0,25 x 4 = 1).

O espectador está a divertir-se imenso e decide aumentar os seus donativos: a cada jogada oferece 4 fichas ao vencedor. Neste ponto, o jogo torna-se vantajoso também para mim: 1 jogada em cada 4 recebo 6 fichas  enquanto continuo a pagar as minhas 4. O saldo é, portanto, positivo em 2 fichas por cada 4 lances, igual a 3/2 fichas por lance (R = 0,25 x 6 = 1,5).

Em substância, o jogo em si coloca-me em desvantagem, mas um factor externo (o espectador) pode drasticamente mudar o meu rendimento. Não se trata de um discurso ocioso, o da esperança matemática é um dos conceitos fundamentais do poker e cara ou coroa é apenas uma simplificação,  para tornar evidente o que estamos a tratar. A minha moeda desiquilibrada será a minha mão com as suas probabilidades de vitória e o espectador benevolente será o pot, as fichas jogadas até aquele momento.

por Dario De Toffoli

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Atualizando, retificando e ratificando.

Eu chamava esse passarinho de Sibite quando eu era criança.. xD.

Hoje terminei de reler os artigos básicos da Pokerstrategy.. tirei esta semana só pra relê-los e logo (hoje, acredito eu) voltarei a jogar.. penso que na Pokerstrategy se econtre tudo aquilo que um jogador de poker precisa saber para ser lucrativo nos slow e midle stakes.. acho que só a partir da NL200 é que se faz necessária a leitura de outras fontes (a maioria em inglês) e de um coach particular de algum bom jogador..
Também estive pensando em voltar a academia.. mas vi que isto é totalmente inviável pra mim mesmo tendo um desejo enorme de voltar a treinar, já que não tenho tantas horas disponíveis.. melhor continuar treinando sozinho "vez ou outra" e jogando bola com meus amigos em alguns finais de semana.. preciso também aprender a ser humilde e aceitar que não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo..
Ah! Tambem queria reiterar algumas coisas: Sinceramente não ligo pra o que os outros pensam ao meu respeito.. aprendi esta virtude depois de ter optado por carregar a minha cruz.. cruz esta que poucas pessoas conseguiriam carregar.. me basta ser aquilo que eu me tornei.. produto dos meus erros, acertos, lutas, decisões.. sinceramente amo aquilo que eu me tornei.. e não estou sendo humilde aqui.. amo mesmo minhas decisões que me trouxeram aqui, inclusive minhas futilidades, hobies, vícios e visão do mundo e do homem, que mesmo que sejam parciais e imperfeitas (e quais são as que se pretendem ser perfeitas?) me faz acreditar que valorizo muitas coisas nesta vida que realmente merecem se dar valor.. quem puder me ouvir, ouça.. e também não pretendo estar 100% certo aqui, pois isso implicaria num fundamentalismo e qualquer opinião fundamentalista deve ser a priori questionada pelo simples fato de se pretender ser aquilo que não é: Perfeita e total.
Também não sou partidário da "Sociedade alternativa" nem de que tudo vale à pena.. meus verdadeiros amigos, minha luta e aqueles que me conhecem (que não usam apenas momentos isolados pra me julgar) sabem que eu sempre soube escolher entre o que era e não era importante na minha vida..
Apesar de ter dito isto, não estou escrevendo esse texto pra me defender.. realmente não me incomoda o que pensem sobre mim.. mas estou escrevendo esse texto mais com o intuito de pedir "desculpa".. isso mesmo, desculpa.. porque me dói a idéia de quem sabe, ter sido injusto com alguem, mesmo quiçá com quem foi injusto comigo.. tem coisas que a gente não deve falar.. mesmo que estejam na nossa garganta e fazendo doer o nosso coração.. infelizmente eu sempre fui assim mesmo.. emotivo por demais.. às vezes chorão, às vezes bruto.. mas nunca costumei ficar calado..
Hoje passei o dia lembrando "Monte Castelo" de Legião Urbana: " ...é um estar-se preso por vontade, é servir a quem vence o vencedor. É um ter com quem nos mata, lealdade. Tão contrário a si é o mesmo amor. Estou acordado e todos dormem, todos dormem, todos dormem. Agora vejo em parte mas então veremos face à face."
Desejo sinceramente a felicidade de todos, seja lá quem for.. dos meus e daqueles que não forem mais ou que nunca foram meus de verdade.. mesmo que admitir isso implique ferir o meu orgulho e ir contrar o meu egoísmo que existe e é enorme.. mas apesar de aparentar ser tão errado e pecaminoso, mesmo não me sentindo assim, sei que é melhor aceitar a felicidade daqueles que amamos mesmo que isto implique um adeus, do que alimentarmos o nosso prazer de continuar se torturando e torturando a outrem.. Sejamos todos felizes!!! De coração...
FJ